Sofri de bullying e quero ajudar-te!

Redatora com Futuro
10 janeiro 2024

Chamo-me Tatiana, tenho 19 anos e já sofri de bullying.

 

Sei que não está a ser fácil para ti passares por esta situação e que, provavelmente, sofres em silêncio, por teres medo do que te pode acontecer, se contares o que se está a passar.

 

Estás a fazê-lo há demasiado tempo e, acredita em mim, quando te digo que não estás sozinh@! 💪

 

Espero que, depois de ouvires a minha história, te consigas abrir com alguém e possas receber a ajuda que tanto precisas e mereces.

 

Fui agredida, física e psicologicamente, pelos meus colegas da escola primária. Eu era, e sou, magra e tímida. Passava os intervalos a ser apelidada de feia e palito. Ficava sempre excluída das brincadeiras. Também recebia ameaças para que não contasse nada aos meus pais e, muitas das vezes, os meus colegas ficavam à minha espera no portão da escola para me intimidarem mal chegasse.

 

Quando estava no 3º ano, toda aquela situação de bullying acabou por me deixar, totalmente, desligada dos estudos e, consequentemente, reprovei. 🥲

 

No ano seguinte, entrei numa nova turma e comecei a usar o humor como escudo. Estava a resultar muito bem e fiz bastantes amigos. No entanto, havia uma pessoa, em particular, que me continuava a atacar.

 

Bem sei que existem várias campanhas de sensibilização contra o bullying a decorrer nas escolas. Ainda assim, acredito que a principal forma de combatermos estas práticas é a educação transmitida pelas famílias, desde tenra idade. 🏠

 

Os meus pais já se tinham apercebido, há algum tempo, que eu não andava muito bem. Chegava a casa com feridas e dizia sempre que tinha caído no chão... Um dia, eles apertaram comigo e desabei, contei-lhes tudo o que me tinha acontecido naquele ano, que já estava quase a chegar ao fim.

 

Os meus pais foram à escola, falar sobre o ocorrido e disseram-lhes para não se preocuparem, porque eu me sabia defender. 

 

Quando os meus pais saíram, fui chamada e foi-me dito que, não só tinha piorado tudo, como não havia qualquer necessidade de estar a criar alarme. Estávamos em 2013, achas que alguma coisa mudou? 🤔

 

Enquanto isto acontecia, eu sentia que precisava de criar uma personagem, de deixar de ser eu, para me encaixar no meu grupo de amig@s.

 

Basicamente, comecei a fazer piadas com a aparência d@s outr@s e não percebi naquilo em que me estava a tornar. Afinal, não passava de um espelho da pessoa que me maltratava…

 

Foi uma longa jornada, até me aperceber que estava a canalizar o meu sentido de humor na direção errada, mas com o passar do tempo, acabei por me reajustar e, hoje, já não preciso de falar mal, de quem quer que seja, para me sentir incluída. 😉

 

Aprendi que, se alguém gosta, verdadeiramente, de nós, nos vai aceitar tal como somos!

 

Até entrar no Ensino Secundário, sempre tive dificuldades em fazer novas amizades, porque tinha medo que me voltassem a magoar e a quebrar a minha confiança. Na minha cabecinha, imaginava olhares de julgamento, que talvez nem existissem e, foi assim que, inconscientemente, me fui colocando de parte.

 

Atualmente, reconheço que não sou a rapariga com a maior autoestima do mundo. Contudo, consigo olhar-me ao espelho e sentir-me orgulhosa do que vejo. Se eu consegui, tu também consegues! 😊

 

Às vezes podes perguntar-te: Porque fui vítima de bullying? Será que não sou forte o suficiente?

 

A verdade é que, na maioria dos casos, a pessoa que te agride projeta em ti as suas inseguranças, para que @s outr@s não as consigam ver nela.

 

No fundo, não existem pessoas boas, nem más. Tod@s temos o melhor e o pior dentro de nós. Errar é humano, então devemos procurar aprender sempre com os nossos erros e evoluir. 💡

 

Agora, se estás a passar por uma situação destas ou conheces alguém que está, é muito importante leres estes conselhos:

  • Não guardes os teus problemas só para ti: fala com os teus pais ou com os teus professores;
  • Se tens um animal de estimação, podes fazer dele o teu apoio emocional: passa tempo de qualidade com o teu patudo e fala com ele. Os animais percebem-nos melhor do que imaginamos;
  • E, se te sentires à vontade, escreve o que sentes.

 

Por fim, deixo-te um exercício para colocares em prática:

Antes de falares, pensa no que vais dizer, isto é, procura colocar-te no lugar de quem vai receber a tua mensagem.

As palavras têm muito poder e tu podes escolher alegrar alguém ou estragar-lhe o dia, só porque te apetece. O que te parece compensar mais? 🙂

 

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