Crise Climática: Como podes ajudar?

Gestor de Parceiros Centro
1 julho 2021

Toda a gente já ouviu falar da crise climática e do aquecimento global. Ouvimos algo na escola sobre isso, às vezes até nas notícias, mas será que sabemos a dimensão desta crise? Neste artigo tentamos explica-la brevemente e, no final, damos-te uma dica de como podes ajudar (spoiler alert: clica aqui!)

Esta crise é o resultado da emissão de gases de efeito estufa. Estes gases, que provêm de várias fontes (transportes, indústria, agricultura, pecuária, etc.) estão a atingir recordes de concentração na atmosfera e com eles estamos a ver recordes de temperatura média do planeta. Sabemos que, para um mundo habitável e sustentável, essa média tem que se manter abaixo dos 1,5ºC até 2100 e, desde a revolução industrial, o mundo já aqueceu 1,1ºC. Somado a isto, temos o painel mundial de cientistas da ONU (IPCC), a dizer que, se continuarmos assim, vamos aquecer no mínimo 4ºC !!!

Mas é isto que é a crise climática? Não, esta é uma crise sistémica e complexa e não se trata apenas da emissão de gases com efeito de estufa e do consequente aquecimento global. A crise climática é muito mais do que isto, pois vai afetar necessidades básicas como comida, água, saúde e segurança de todas as pessoas do mundo. Daí ter a capacidade de, nas próximas décadas, pôr em causa todo o modo de vida da humanidade como a conhecemos hoje.

De acordo com um estudo francês, se o aquecimento global continuar ao ritmo que está, Portugal será um país desértico e a paisagem poderá passar dos sobreiros e olivais para algo assim. Lisboa, será uma cidade no meio do deserto.

 

A crise climática já se começa a sentir e começamos a verificar alterações nos padrões do tempo: menos água, maiores períodos de seca, mais tempestades (o Alex, a Barbara, a Filomena, têm nomes giros mas é só mesmo isso), ondas de calor, etc. 

Talvez não afecte a tua ida à praia, talvez não afecte veres netflix ao som da chuva, mas afecta em coisas mais graves, nomeadamente a agricultura, que sem a água da chuva não consegue regar as suas produções ou então o acesso a água potável para muitas pessoas. Podemos pegar no exemplo de Madagáscar, um país sem qualquer conflito interno e que não consegue alimentar a sua própria população, ou seja, o primeiro país onde se passa fome por causa das alterações climáticas.

Mas como é que isto acontece? E porquê?

Antes sequer de chegarmos às respostas a estas perguntas, quisemos ir buscar um testemunho real de uma verdadeira ativista. Alguém que inclusive estivesse no secundário e com certeza mais informada que nós e que te pudesse esclarecer sobre o porquê de ser importante prestar atenção a estes assuntos.

“Eu (Beatriz) tenho 17 anos e estou a acabar o meu 12º ano em Lisboa e durante todo o secundário, no meio de todo o stress destes 3 anos, tentei que o meu impacto ambiental fosse o menor possível. Comecei a compreender que ações podia fazer, que produtos privilegiar e onde os comprar de forma a poder reduzir o impacto que o meu dia-a-dia tem no ecossistema mundial.” 

Desta forma, a Beatriz começou a comer vegan, a usar o mínimo de plástico possível que conseguia, deslocar-se a pé, de bicicleta ou de transportes públicos a todos os locais que conseguia. No entanto, apesar de sentir que as suas ações estavam a ter impacto, ainda assim, a Beatriz sentia que algo mais teria que ser feito para evitar este caos climático que se aproxima.

“Decidi juntar-me à Greve Climática Estudantil e, mais tarde, ao Climáximo. Descobri o que era realmente fazer ativismo, descobri que a minha voz, somada às outras, conseguia fazer coisas incríveis. Com a energia de todas as pessoas envolvidas, planeamos várias manifestações e outras ações diretas, palestras de sensibilização (como o projeto Climaticamente Falando, da Greve Climática Estudantil, que tem como objetivo dar palestras nas instituições de ensino) e muito, MUITO mais.”

Perante a continuação do aquecimento global e a ineficácia em resolver o problema, cada vez mais pessoas se começam a manifestar contra a inação.

 

E a adicionar à luta por um futuro sustentável, ao envolver-se como ativista, a Beatriz desenvolveu competências importantes, seja para o relacionamento interpessoal, para as atividades escolares ou para o Mercado de Trabalho.

“Compreendi a importância da organização, aprendi coisas tão simples mas tão importantes como montar uma reunião, por exemplo. Uma outra competência que estou a desenvolver é a minha capacidade de comunicação, que é muito importante se quero que a minha voz seja ouvida (e dá muito jeito na escola).”, acrescenta a Beatriz.

Como muitos de nós que estão à procura do nosso caminho ou à procura de como defender aquilo em que acreditamos, as coisas não se fazem de um dia para o outro. Nem vão ser feitas à primeira, nem vais saber como fazer um manifesto, uma ata de uma reunião ou uma manifestação. Por isso mesmo é que vamos aprendendo à medida que fazemos e experimentamos! Aliás, sempre que nos aparece um obstáculo, isso permite-nos evoluir e se estivermos acompanhados por pessoas que acreditam e lutam pelo mesmo que nós, acabamos por evoluir uns com os outros e em conjunto.

“Encontrei vários obstáculos pelo caminho (e continuo a encontrar), como a vergonha de falar em público ou o sentimento de incapacidade, mas tive sempre alguém ao meu lado para me ajudar a ultrapassá-los e, agora que olho para trás, algo que parecia um pedregulho era afinal uma pequena pedra (daquelas que encontramos às vezes nos sapatos).” conclui a Beatriz.

Queres saber mais? Tens muitas dúvidas e perguntas?

Ainda bem! Se calhar até estás a perguntar-te “mas afinal, que impacto é que eu consigo ter no mundo inteiro?” A resposta é: MUITO!! e temos ótimas notícias para ti!

O Climáximo e a Beatriz vão fazer um acampamento de ativismo climático! São 5 dias, de 16 a 20 de julho, em Cabrela (Montemor-o- Novo) e será um espaço para formar novas pessoas ativistas e organizar a luta por um planeta justo e habitável.

Vais aprender sobre ciência climática, o que significam estes 1,5ºC de aquecimento, conceitos como justiça climática e transição justa. Por outro lado, vais aprender diversas ferramentas de ativismo e como é que a luta por justiça climática se liga a outros movimentos e lutas.

É a altura ideal para pores as mãos à obra e ajudares-te a ti, ao planeta e, portanto, a todos os seres! Podes saber mais em https://www.climaximo.pt/acampamento2021/

Não fiques a pensar que poderias fazer parte da mudança, faz parte dela!